• Dr. André Tosta Ribeiro

“Operei a coluna e continuo com dor” – tem solução?


Dificilmente encontramos uma pessoa que nunca tenha sentido ou sequer tenha conhecido alguém que não tenha sentido dores nas costas. Damos o nome de lombalgia para as dores na porção mais baixa da coluna. Sabe-se que muitas pessoas sofrerão de lombalgia em algum momento de suas vidas, estimado entre 40% a 86% da população, sendo a maioria delas resolvida sem medidas específicas. Cerca de dois terços dessas pessoas sofrerão uma recorrência (de 24 a 80% em um ano), e um terço sofrerão dores incapacitantes.

Quando as dores persistem por mais de 03 meses, dizemos que a dor ficou crônica. Dificilmente pessoas jovens sentem essas dores (cerca de 4,2% em pessoas de 24 a 39 anos), mas é muito comum nas pessoas acima dos 50 anos, especialmente nas mulheres e nos fumantes.

O tratamento paras as dores nas costas persistentes deve ser personalizado, com a avaliação médica feita por um especialista em problemas da coluna vertebral e que entenda bem sobre os mais diversos tipos de dor e das causas dessas dores. Apenas uma pequena parcela da população com lombalgia crônica necessita de cirurgia e raramente é a primeira opção a ser considerada.

Quando as dores lombares persistem após uma cirurgia de coluna, damos o nome de síndrome pós-laminectomia. Problemas na execução da cirurgia, uso excessivo de próteses, infecção hospitalar, falta de preparo do paciente para a cirurgia e para os cuidados depois do procedimento, lesões nos nervos, articulações e outros componentes da coluna são algumas das diversas causas.

O tratamento começa pela prevenção: é fundamental a consulta com um especialista em problemas de coluna, com bom entendimento sobre a dor que se apresenta antes de fazer uma cirurgia. Atividades físicas, sem impacto na coluna, são essenciais tanto antes quanto depois de qualquer procedimento na coluna.

O uso de medicamentos se faz necessário de acordo com a intensidade e o tipo de dor. Uma dor que seja proveniente de um nervo lesionado não pode ser tratada da mesma forma que a dor que vem do músculo ou de uma articulação. Muitas vezes essas dores se apresentam ao mesmo tempo, o que traz muito sofrimento para o paciente e confunde o médico não especialista. Medicamentos como antidepressivos e anticonvulsivantes são usados de rotina para tratamento dessas dores, sem maiores efeitos colaterais, com grande benefício na qualidade de vida.

Injeções na região dolorosa, quando bem indicadas, são de grande ajuda pois aliviam a dor e abrem uma oportunidade para realização de exercícios com maior independência. Reoperações em geral não são desejadas, uma vez que a taxa de sucesso cai muito após a segunda cirurgia (menos de 30% de chance de cura). O mesmo vale para técnicas mais modernas de tratamento, como a estimulação medular e a endoscopia para retirada de fibrose. Os casos devem ser avaliados individualmente, prezando sempre a melhor qualidade de vida do paciente.

Portanto, vimos que a síndrome pós-laminectomia é uma doença extremamente debilitante e de alto impacto emocional e social. Diversos tratamentos existentes foram adaptados no intuito de amenizar a dor e outros foram desenvolvidos para combatê-la, mas de custo elevado. A melhor maneira de evitá-la é a prevenção, com um bom acompanhamento médico especializado em problemas de coluna, realização das medidas físicas propostas e abandonar hábitos como o sedentarismo e o tabagismo.

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