• Dr. André Tosta Ribeiro

Síndrome do Túnel do Carpo


Antes restrita a certos grupos de profissionais, como costureiras, caminhoneiros e datilógrafos, a síndrome do túnel do carpo agora tem uma dimensão muito maior após o advento de novas formas de comunicação que quase sempre envolvem a digitação como caminho comum.

Classicamente, a síndrome atinge de 5 a 7% da população, preferencialmente em mulheres e em pessoas de meia idade (entre 45-50 anos). Caracteriza-se por dor na região do punho com extensão para o polegar e palma da mão, poupando o dedo mínimo. Normalmente, é uma dor em aperto ou queimação, raramente com sensação de choque, que costuma piorar na madrugada, quando as pessoas reclamam que a mão permanece dormente e/ou formigando.Ocorre devido a um estreitamento de um túnel existente no punho, feito de cartilagem e ligamentos, que estrangula o nervo chamado mediano (figura 1). Em casos graves, a pessoa pode começar a perder a força na mão afetada.

Além de uma história típica, o médico faz o diagnóstico dessa síndrome com mais 2 ferramentas. A primeira é o exame físico, com testes com as mãos que vão provocar as mesmas sensações de desconforto que acompanham os pacientes em suas madrugadas. A segunda, o diagnóstico por meio de um exame chamado eletroneuromiografia (ENMG). Nesse exame, é testada a condução elétrica do nervo mediano, que fica comprometida na região do punho.

O tratamento é bastante simples:

  1. Medicamentoso: com uso de analgésicos comuns, anti-inflamatórios, medicamentos voltados para modulação da dor como antidepressivos ou anticonvulsivantes que, em doses baixas, aliviam os sintomas sem maiores efeitos colaterais.

  1. Fisioterapia, uso de órteses, exercícios e readequação ao trabalho (figuras abaixo): sempre orientados pelo médico, mantendo-se um acompanhamento regular para melhor controle dos sintomas. O resultado tende a demorar até 12 semanas para ser percebido como alívio pelos pacientes.

  1. Cirurgia: reservada para os casos classificados como “moderados” ou “graves”, conforme descrito no laudo do exame de ENMG. É um procedimento simples, com anestesia local, minimamente invasivo, não requer internação e promove alívio das dores logo após a descompressão.

Atenção para o surgimento dos sintomas caso você tenha algum desses fatores de risco:

  • Diabetes

  • Hipotireoidismo

  • Gravidez

  • Artrite reumatoide

  • Lúpus eritematoso sistêmico

  • Traumatismo no punho

  • Atividades manuais constantes ou que envolvam trepidação das mãos e braços

A ausência desses fatores não descarta a síndrome. A consulta com um profissional qualificado é o primeiro passo para um tratamento correto e eficaz.

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